Função Visual
O radar Função Visual mostra como está a visão dos olhos tratados, antes e depois do tratamento, a partir de exames clínicos e tomográficos. Cada eixo do radar é um indicador; os valores de exame são convertidos para uma nota padronizada de 0 a 10, em que 10 é sempre o melhor resultado possível — assim indicadores com unidades diferentes podem aparecer no mesmo gráfico.

O que mede
O grupo Função Visual reúne os indicadores ligados à qualidade da visão:
| Código | Nome | Unidade | Faixa de referência | Melhor quando |
|---|---|---|---|---|
| UCVA | Acuidade visual não corrigida | Snellen (fração) | PL até 20/20 | Mais perto de 20/20 |
| BCVA | Acuidade visual melhor corrigida | Snellen (fração) | PL até 20/20 | Mais perto de 20/20 |
| SPH EQ | Dioptrias do esférico equivalente | Dioptrias | −25,00 a +25,00 | Mais perto de 0 |
| COMA | Aberrações coma 6 mm centrais | Micra | 0 a 10 | Menor |
| RMS Total | Raiz média quadrada total de aberrações 6 mm centrais | Micra | 0 a 10 | Menor |
No Dashboard, o radar Função Visual exibe os eixos UCVA, BCVA e COMA (os indicadores obrigatórios do grupo — veja "Quem entra no cálculo" abaixo). No relatório individual do paciente, os radares por olho podem exibir todos os indicadores do grupo que tiverem medições.
Como é coletado
Os valores vêm dos exames registrados na ficha do paciente — digitados manualmente ou por upload do laudo — sempre com:
- a fase do exame: Pré-tratamento ou Pós-tratamento;
- o valor por olho: olho direito (OD) e/ou olho esquerdo (OE);
- a data do exame.
Quando existe mais de um exame do mesmo indicador na mesma fase, vale o de data mais recente (em caso de empate na data, o registrado por último).
Como a nota 0–10 é calculada
Cada indicador tem uma regra de normalização, definida na tabela de referência da plataforma. Toda nota é limitada ao intervalo 0–10 e arredondada para 1 casa decimal.
Acuidade visual (UCVA e BCVA)
O valor Snellen é convertido para logMAR e comparado com o pior valor da escala (PL — percepção luminosa):
- numerador/denominador: a fração Snellen registrada (ex.: 20/100);
- logMAR: o valor convertido do exame;
- logMAR PL: o piso da escala, fixado em 3,00 na tabela de referência.
Os valores qualitativos usam âncoras fixas em vez da fórmula: CD (conta dedos) = 1,70 · MM (movimento de mãos) = 2,00 · PL (percepção luminosa) = 3,00. Assim, 20/20 vale nota 10 e PL vale nota 0.
Indicadores lineares (COMA e RMS Total)
Para indicadores em que menor é melhor, a nota é proporcional à distância do valor até o pior extremo da faixa:
- v: o valor medido no exame;
- mín e máx: os limites da faixa de referência do indicador (0 e 10 micra para COMA e RMS Total).
Indicador com ponto ideal (SPH EQ)
A nota diminui conforme o valor se afasta do ponto ideal (0 dioptrias):
- v: o valor medido;
- ideal: 0 dioptrias;
- d máx: a maior distância possível do ideal até um extremo da faixa (25 dioptrias).
Exemplo numérico
Maria Souza, da Clínica Demonstração, tratou o olho direito. Seus exames mais recentes de cada fase:
UCVA — Pré: 20/100 · Pós: 20/40
- logMAR pré = −log₁₀(20 ÷ 100) = −log₁₀(0,2) ≈ 0,699
- Nota pré = (3,00 − 0,699) ÷ 3,00 × 10 = 7,7
- logMAR pós = −log₁₀(20 ÷ 40) = −log₁₀(0,5) ≈ 0,301
- Nota pós = (3,00 − 0,301) ÷ 3,00 × 10 = 9,0
COMA — Pré: 2,4 µm · Pós: 1,1 µm (menor é melhor, faixa 0–10)
- Nota pré = (10 − 2,4) ÷ 10 × 10 = 7,6
- Nota pós = (10 − 1,1) ÷ 10 × 10 = 8,9
Nos dois eixos, o polígono Pós fica mais próximo da borda do que o Pré — o gráfico mostra a melhora.
Quem entra no cálculo do Dashboard (mediana)
O valor de cada eixo no Dashboard é a mediana das notas dos olhos tratados dos pacientes filtrados — por isso o subtítulo "Mediana da clínica — olhos tratados". As regras de elegibilidade são rígidas:
- Só entram olhos tratados (o olho definido na abordagem de tratamento do paciente: OD, OE ou ambos — um paciente com os dois olhos tratados contribui com dois olhos independentes).
- Vale a regra do tudo ou nada: o olho só entra se tiver todos os 9 indicadores obrigatórios medidos no Pré e no Pós-tratamento — UCVA, BCVA e COMA (Função Visual) mais Ant K1, Ant K2, K Max, Post BFS, THIN loc e I-S (Morfologia da Córnea). Faltando qualquer um deles em qualquer fase, o olho fica fora dos dois radares.
- O selo n = X mostra o número de pacientes elegíveis (não de olhos).
- Com número par de olhos, a mediana é a média dos dois valores centrais.
Se o radar aparece vazio mesmo com pacientes na base, o motivo mais comum é a regra do tudo ou nada: falta algum dos 9 exames obrigatórios em alguma fase, o exame não tem a fase preenchida, ou o valor do olho tratado está em branco. Complete os registros na ficha do paciente e recarregue o Dashboard.
Como interpretar
- Pré-tratamento aparece em âmbar; Pós-tratamento em violeta. A escala vai de 0 (centro) a 10 (borda).
- Polígono Pós mais externo que o Pré = evolução positiva dos olhos tratados naquele conjunto de indicadores.
- Um eixo sem medição simplesmente não é desenhado (a linha é interrompida) — ausência de dado não é tratada como nota zero.
- Por ser mediana, o gráfico é pouco sensível a casos extremos isolados: ele mostra o comportamento típico, não a média aritmética.
Limitações e observações
- Os parâmetros de referência (faixas, âncoras, ponto ideal) são mantidos pela administração da plataforma e podem ser ajustados após validação clínica.
- A regra do tudo ou nada privilegia a comparabilidade (todos os olhos do gráfico têm o mesmo conjunto de exames), ao custo de reduzir a amostra.
- Indicadores podem ser ocultados dos gráficos por configuração da plataforma; nesse caso continuam contando para a elegibilidade do tudo ou nada, apenas deixam de aparecer como eixo.