Morfologia da Córnea
O radar Morfologia da Córnea acompanha a forma e a estrutura da córnea dos olhos tratados, antes e depois do tratamento, a partir dos exames tomográficos. Como no radar de Função Visual, cada medição é convertida para uma nota padronizada de 0 a 10, em que 10 é o melhor resultado possível.

O que mede
| Código | Nome | Unidade | Faixa de referência | Melhor quando |
|---|---|---|---|---|
| SimK | Ceratometria média ou SimK 3 mm | Dioptrias | 25,00 a 90,00 | Menor |
| Ant K1 | Ceratometria mais plana anterior 3 mm centrais | Dioptrias | 25,00 a 90,00 | Menor |
| Ant K2 | Ceratometria mais curva anterior 3 mm centrais | Dioptrias | 25,00 a 90,00 | Menor |
| K Max | Ceratometria máxima | Dioptrias | 25,00 a 90,00 | Menor |
| Post BFS | Best Fit Sphere — ponto mais elevado posterior 8 mm centrais | Micra | 0 a 200 | Menor |
| THIN loc | Medida do ponto mais fino da córnea | Micra | 50 a 600 | Maior |
| I-S | Índice I-S — assimetria inferior–superior | Dioptrias/mm | 0 a 25 | Menor |
| Q-value ant | Asfericidade anterior | — | −5,00 a +5,00 | Dentro de −0,30 a −0,20 |
No Dashboard, o radar exibe os seis indicadores obrigatórios do grupo: Ant K1, Ant K2, K Max, Post BFS, THIN loc e I-S. No relatório individual do paciente, os radares por olho podem exibir todos os indicadores do grupo que tiverem medições (incluindo SimK e Q-value ant).
Como é coletado
Mesma coleta dos demais exames: registros na ficha do paciente (manuais ou por upload de laudo), com fase Pré ou Pós-tratamento, valor por olho (OD/OE) e data. Havendo mais de um exame do mesmo indicador na mesma fase, vale o de data mais recente.
Como a nota 0–10 é calculada
Indicadores lineares (SimK, Ant K1, Ant K2, K Max, Post BFS, I-S)
Para os indicadores em que menor é melhor:
- v: o valor medido no exame;
- mín e máx: os limites da faixa de referência do indicador (tabela acima).
THIN loc (maior é melhor)
A córnea mais espessa no ponto mais fino é o melhor cenário, então a direção se inverte:
Q-value ant (faixa ideal)
Valores dentro da faixa ideal (−0,30 a −0,20) valem nota 10. Fora dela, a nota cai proporcionalmente à distância até o limite mais próximo:
- v: o valor medido;
- L inf e L sup: os limites da faixa ideal (−0,30 e −0,20);
- mín e máx: os extremos da faixa de referência (−5,00 e +5,00).
Toda nota é limitada a 0–10 e arredondada para 1 casa decimal.
Exemplo numérico
João Lima, da Clínica Demonstração, tratou o olho esquerdo.
K Max — Pré: 58,0 D · Pós: 52,5 D (faixa 25–90, menor é melhor)
- Nota pré = (90 − 58,0) ÷ (90 − 25) × 10 = 32 ÷ 65 × 10 = 4,9
- Nota pós = (90 − 52,5) ÷ 65 × 10 = 37,5 ÷ 65 × 10 = 5,8
THIN loc — Pré: 470 µm (faixa 50–600, maior é melhor)
- Nota pré = (470 − 50) ÷ (600 − 50) × 10 = 420 ÷ 550 × 10 = 7,6
Q-value ant — valor −0,60 (abaixo da faixa ideal −0,30 a −0,20)
- Distância até o limite inferior: −0,30 − (−0,60) = 0,30
- Amplitude abaixo da faixa: −0,30 − (−5,00) = 4,70
- Nota = 10 × (1 − 0,30 ÷ 4,70) = 9,4
Quem entra no cálculo do Dashboard (mediana)
As regras são as mesmas do radar de Função Visual — os dois radares compartilham a mesma consolidação:
- Só olhos tratados (definidos na abordagem de tratamento; paciente com ambos os olhos tratados contribui com dois olhos).
- Tudo ou nada: o olho precisa ter os 9 indicadores obrigatórios (UCVA, BCVA, COMA, Ant K1, Ant K2, K Max, Post BFS, THIN loc, I-S) medidos no Pré e no Pós. Faltando um, o olho sai dos dois radares.
- Cada eixo mostra a mediana das notas dos olhos elegíveis, calculada separadamente para Pré e Pós.
- O selo n = X conta pacientes elegíveis.
Como interpretar
- Polígono Pós (violeta) mais externo que o Pré (âmbar) = córneas evoluindo bem no grupo filtrado: ceratometrias menores, córnea mais estável.
- Atenção especial a K Max e THIN loc, marcadores clássicos de progressão do ceratocone: no gráfico, melhora aparece como aumento da nota (o cálculo já inverte a direção quando necessário — nota maior é sempre melhor).
- Eixos sem medição não são desenhados; ausência de dado não vira nota zero.
Limitações e observações
- As faixas de referência são parâmetros da plataforma, ajustáveis após validação clínica.
- A mediana descreve o comportamento típico do grupo; casos individuais devem ser avaliados no relatório do paciente, que traz os radares por olho (OD e OE separados).
- A amostra dos radares tende a ser menor que o total de pacientes por causa da regra do tudo ou nada — o selo "n" indica quantos pacientes estão de fato representados.